O Princípio Educativo em Gramsci-0

O Princípio Educativo em Gramsci

A pedagogia marxista afirma que o processo educativo do homem é embasado no trabalho, isto é, nas relações sociais e técnicas pelas quais produz sua sobrevivência. Gramsci, paradoxalmente mais marxista do que Marx, dilata a noção de trabalho e detalha como o industrialismo é o princípio educativo moderno que forja o novo homem do século XX, conformando-o à sua lógica.


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Descrição da edição: Revisada

ISBN: 978-85-7516-863-9

Editora: Alínea

Autor: Mario Alighiero Manacorda

Edição: 3

Ano: 2019

Páginas: 314

Formato: 16 x 23 cm

Idioma: Português

Apresentação da 2ª Edição Brasileira

Ao Leitor

PARTE 1 – OS ESCRITOS DA JUVENTUDE

Prólogo
As experiências escolares pessoais (-1910)
A formação crociana e o antipositivismo (1911-1915)
O contato com a classe operária: crítica da escola burguesa e do reformismo socialista (1916-1918)
A adesão à experiência soviética: em busca de uma política educativa do proletariado (1919-1922)
As iniciativas político-culturais nos primeiros anos do fascismo (1922-1926)

PARTE 2 – AS CARTAS DO CÁRCERE

Prólogo
A escola dos confinados (janeiro-dezembro de 1927)
A educação dos filhos e dos sobrinhos: língua e dialeto (março de 1927 - dezembro de 1928)
As duas dúvidas de fundo: tecnologia e espontaneísmo (janeiro-julho de 1929)
Resolvida a primeira dúvida: contra o espontaneísmo (dezembro de 1929)
Espontaneidade e coerção (julho-agosto de 1930)
Resolvida a segunda dúvida: por uma educação tecnológica (outubro de 1930)
Ainda a espontaneidade e a coerção (dezembro de 1930-maio de 1931)
Da microcoerção à macrocoerção (julho-setembro de 1931)
A escola soviética: inclinações e desenvolvimento total (dezembro de 1931)
A escola italiana: a preparação para o trabalho (fevereiro de 1932-abril de 1933)
De Croce a Lênin: a hegemonia (março-junho de 1932)
O homem moderno integralmente desenvolvido (agosto de 1932-agosto de 1933)
Todos os homens do mundo (1936)

PARTE 3 – OS CADERNOS DO CÁRCERE

Prólogo

Caderno 1 - XVI (1929-1930): primeiras notas pedagógicas esparsas
A universidade e outros organismos de cultura
O princípio pedagógico dos moderados
O Estado, sua ‘trama privada’e o folclore
As primeiras notas sobre o americanismo
Conformismo e desnovelamento: velhos e jovens
Oratória e cultura
Ainda o americanismo

Caderno 4-XII (1930-1932): as notas sistemáticas sobre a escola
Ideologia, ciência

Mario Alighiero Manacorda

Nasceu em Roma, em 9 de dezembro de 1914. Formou-se em Letras na Universidade de Pisa, onde estudou também Pedagogia. Após um ano de aperfeiçoamento na Universidade de Frankfurt, na Alemanha, passou a ensinar nos liceus e institutos de magistério, iniciando, ao mesmo tempo, suas atividades de tradutor e estudioso dos clássicos literários e histórico-políticos. Entre os anos de 1954 e 1957, como diretor das Edições Rinascita, deu sequência, especialmente, às coleções Os clássicos do marxismo, Pequena biblioteca marxista e Nova Biblioteca de Cultura.
Concomitantemente, especializou-se cada vez mais em questões pedagógicas e colaborou com numerosos jornais e revistas como Rinascita, Società, Il Contemporaneo, Rassegna Sovietica, Studi Storici, Ulisse, Il Calendario del Popolo e revistas pedagógicas, dentre as quais Voce della scuola democratica da qual foi diretor durante vários anos, Scuola e Costituzione e, de modo especial, Riforma della scuola que vinha dirigindo juntamente com Lucio Lombardo Radice.
Membro de associações de educadores, como a Associação de Defesa e Desenvolvimento da Escola Pública Italiana, e integrante da seção pedagógica do Instituto Gramsci e da Comissão Cultural do Partido Comunista Italiano, participou ativamente de todas as lutas educacionais da segunda metade do século XX. Tem gosto especial pela filologia e, de forma feliz, soube combinar os estudos filológicos com a teoria e a história da educação.

A pedagogia marxista afirma que o processo educativo do homem é embasado no trabalho, isto é, nas relações sociais e técnicas pelas quais produz sua sobrevivência.

Gramsci, paradoxalmente mais marxista do que Marx, dilata a noção de trabalho e detalha como o industrialismo é o princípio educativo moderno que forja o novo homem do século XX, conformando-o à sua lógica.

O que quer dizer Gramsci com essa tese? A que industrialismo se refere? Por que e como o trabalho industrial transforma a sociedade, a família, a escola, os métodos pedagógicos? Como se posiciona diante desses desafios o ideário socialista?

Mario Alighiero Manacorda, neste livro, responde a essas questões lendo para nós e comentando os escritos de Gramsci, na sequência cronológica de sua produção, começando por uma redação escolar de 1910 (o primeiro escrito do autor de que dispomos), e finalizando sua análise com a última carta que enviou ao filho Delio, em 1937, pouco antes de morrer. Um autor historicista como Gramsci não poderia ser lido de outra forma. Tudo em Gramsci é datado: "não gosto - escreveu à cunhada Tatiana em dezembro de 1930 - de atirar no escuro; prefiro ter um interlocutor ou adversário concreto." Porém, de cada crítica sua, de cada análise concreta, de cada polêmica, emerge um vigoroso pensamento "desinteressado" (expressão típica dele), o que o tornou um pensador clássico.

Manacorda capta com precisão não só a inspiração metodológica de Gramsci, mas também sua natureza polêmica. Por isso, escolhe, com evidente propósito de provocar, o subtítulo do livro Americanismo e conformismo, sobre o qual diz na seção "Ao leitor": "[...] pode constituir para alguns leitores um exagero ou talvez uma traição ao pensamento de Gramsci". Nem exagero e muito menos traição, já que o próprio Gramsci escrevera: "O antiamericanismo é mais cômico que estúpido" e "me agrada utilizar precisamente a palavra 'conformismo' para chocar os imbecis". Quem o lê sem preconceitos, sabe o que Gramsci entendia dizer.

Coincidência? O autor deste livro é um intelectual italiano, nascido em 1914, comunista da velha guarda, culto, polêmico, absolutamente íntegro e profundamente humano. Em outras palavras, há uma evidente sintonia de valores, cultura e modo de ser entre Gramsci e Manacorda. E, até por isso, não haveria ninguém melhor do que este para nos explicar o que exatamente entendia Gramsci ao afirmar que o trabalho industrial é o princípio fundamental da educação moderna.

O livro é uma obra indispensável, um clássico, para quem quer conhecer a proposta pedagógica de Gramsci.

Paolo Nosella

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