Nas Sombras do Subdesenvolvimento: Celso Furtado e a problemática regional no Brasil-0

Nas Sombras do Subdesenvolvimento: Celso Furtado e a problemática regional no Brasil

As transformações no padrão de desenvolvimento capitalista, impulsionadas pelo processo de liberalização comandado pelo Estado norte-americano, tiveram grande impacto sobre a matriz espacial do sistema econômico mundial. É dentro desse contexto histórico mais amplo que devemos apreciar a importância e a oportunidade do esforço de Anderson César G. T. Pellegrino de resgatar a rica reflexão de Celso Furtado sobre a questão regional nas economias subdesenvolvidas.

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ISBN: 85-7516-126-1

Editora: Alínea

Autor: Anderson César G. T. Pellegrino

Edição: 1

Ano: 2005

Páginas: 186

Formato: 14 x 21 cm

Idioma: Português

Prefácio

Introdução

Capítulo 1 - Transnacionalização do Capitalismo e Desenvolvimento Regional
Introdução
Desenvolvimento nacional e transnacionalização do capitalismo
O papel do local no atual marco histórico
Acumulação flexível e distrito industrial
Sistema local de inovação
Ambientes inovadores (Milieux Innovateurs)
Nova geografia econômica
Capital social
Competitividade e desenvolvimento regional
Estados-regiões
Cidades globais
Marketing urbano e planejamento estratégico
As visões localistas e o Brasil
A proposta da 'região urbana global Rio - São Paulo'.
A abordagem dos sistemas locais de inovação no Brasil
Observações finais

Capítulo 2 - Subdesenvolvimento e Problemática Regional em Celso Furtado
Introdução
Celso Furtado e a idéia de subdesenvolvimento
Celso Furtado e a teorização do subdesenvolvimento aplicada à problemática regional brasileira
A idéia de um sistema centro-periferia interno ao Brasil: as relações entre Sudeste e Nordeste no final da década de 1950
Comentários gerais sobre o documento do GTDN
Celso Furtado e a dependência cultural como entrave ao desenvolvimento do Nordeste
Observações finais

Capítulo 3 - Nordeste e Formação Econômica do Brasil em Celso Furtado
Introdução
O Nordeste na formação econômica do Brasil
Brasil, Nordeste e a 'nova ordem mundial'
Observações finais

Considerações Finais

Referências

Sobre o Autor

Anderson César Gomes Teixeira Pellegrino

Possui graduação em Ciências Econômicas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1997) e mestrado em História Econômica pelo Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (2000). Atualmente é professor da Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação e professor da Universidade Metodista de Piracicaba. Atua principalmente nos seguintes temas: desenvolvimento econômico, relações econômicas internacionais, teoria do subdesenvolvimento, e pensamento de Celso Furtado.

Em tempos de mundialização excludente em que predominam concepções que louvam o mercado como organizador essencial da sociabilidade humana, que consideram superadas as fronteiras nacionais, que defendem as vantagens da livre circulação dos capitais e da abertura comercial irrestrita (para a periferia) e que, sobretudo, satanizam o Estado e exorcizam políticas nacionais de desenvolvimento, por meio dos rigorosos ajustes fiscais e monetários, o livro de Anderson César G. T. Pellegrino surge quase como uma provocação.
Desafiando o consenso que fez do pensamento econômico brasileiro refém das discussões da política do dia a dia, dos movimentos de conjuntura e do receituário neoliberal, de efeitos devastadores sobre nossa produção intelectual na área econômica, Nas sombras do subdesenvolvimento recupera a discussão da problemática do desenvolvimento regional. E o faz com base nos estudos de Celso Furtado, o "pioneiro na tarefa de pensar e promover a homogeneização regional como parte integrante e essencial do processo de desenvolvimento nacional", que, ao final dos anos 50, elegeu o Nordeste como palco de atuação como administrador público e como tema de reflexão teórica a propósito dos efeitos destrutivos das disparidades regionais para a construção nacional.
Trata-se tão somente de um rigoroso exercício acadêmico de recuperação e exegese das teorias de Furtado sobre o Brasil moderno, industrializado e subdesenvolvido e suas contradições? Por si só, isso já justifica a publicação desse trabalho. No entanto, outra questão, de urgente dimensão política, enlaça a pesquisa, anima o investigador e reforça a necessidade de sua veiculação para debate: o resgate das reflexões furtadianas a propósito da problemática regional brasileira com o intuito de investigar até onde essas formulações permitem alimentar "encaminhamentos para a superação dos atuais obstáculos ao desenvolvimento nacional e regional". Para tanto, Pellegrino recorre não apenas aos estudos de Furtado sobre o Nordeste ao tempo da criação da SUDENE, mas também às pessimistas análises dos anos 80, que têm como pauta os efeitos da mundialização financeirizada sobre o Brasil, cuja construção nacional não pôde ser concluída.
Como resultados da investigação, algumas conclusões sustentadas pelas análises de Furtado, entre as quais a ideia de que a superação dos problemas nordestinos está na dependência da "reconstrução do pacto federativo brasileiro", da "intensa participação da escala nacional no processo de homogeneização estrutural (social, produtiva e regional)", da "utilização do potencial criativo da população nordestina na resolução dos problemas locais" (com os pressupostos de reorganização e democratização da terra e da educação) e, obviamente, da "revitalização da SUDENE" e da "recuperação do planejamento, nas escalas regional e nacional", como instrumentos de desenvolvimento do Nordeste e de construção nacional.
Nas sombras do subdesenvolvimento vem a público para alimentar um debate que o fracasso social das políticas neoliberais na América Latina e no Brasil impõe aos seus intelectuais comprometidos com a supressão de uma ordem social iníqua, hoje aprofundada pelo "subdesenvolvimento pós-moderno" de última geração que, à miséria das massas e à concentração da renda e do capital, agregou a extraordinária precarização no mundo do trabalho e a voragem financeirizada, capazes de gerar uma das sociedades mais "desigualitárias" da ordem capitalista.

Rosa Maria Vieira
Professora da PUC-SP e da FGV-SP

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